Roteiro Serra da Estrela
Falar da região da Serra da Estrela, localizada no centro de Portugal, a cerca de 300 quilómetros de Lisboa, é quase sempre sinónimo de neve e desportos de Inverno. Sendo o único local no país onde é possível fazer esqui e snowboard, acaba por atrair muito mais turistas na época fria do que no Verão. A estância turística, situada na Torre, a quase dois mil metros de altitude e que chega a atingir os 20 graus negativos no Inverno, capta boa parte dos turistas que visitam a região.
Mas, a mais alta serra no território continental, tem muito mais para mostrar do que cumes cobertos de branca e fofa neve. As lagoas, as aldeias históricas, como é o caso do Piódão, as velhas judiarias, os vales glaciares, a praia fluvial de Valhelhas, a nascente do rio Zêzere, em Manteigas, as matas e reservas naturais são, só por si, belos atractivos para turistas de todas as idades.
Também na paisagem montanhosa se podem fazer belos passeios pedestres, passeios de jipe, de bicicleta ou a cavalo, e desportos típicos de montanha como a escalada, canoagem, rafting ou rappel.
A gastronomia é muito rica, sendo o queijo da serra o seu mais afamado produto, ainda que os doces, os pratos de caça e de peixe do rio sejam muito procurados.
O que visitar
Se está a pensar visitar a Serra da Estrela no pico do Inverno, com os seus cumes brancos e lagoas geladas, os desportos na neve são a melhor opção. Para isso tem ao seus dispor a estância das Penhas da Saúde, a 1.500 metros de altitude, e que dispõe de pistas de esqui.
É igualmente interessante visitar Manteigas, vila de rara beleza, situada junto à nascente do Rio Zêzere, e o Sabugueiro, a aldeia mais alta de Portugal, com larga oferta comercial em vestuário típico da Serra. E se tiver coragem para enfrentar caminhos traçados nas encostas da serra do Açor – contígua à Serra da Estrela - faça uma visita à aldeia presépio, o Piódão, linda em qualquer estação do ano.
Se preferir conhecer o local nos meses de Verão, as opções são mais variadas. As praias fluviais são uma boa escolha. Valhelhas, perto de Manteigas, a Lapa dos Dinheiros e Avô, em Seia, a Fraga da Pena, na Mata da Margaraça, repleta de cascatas, e Côja, princesinha do Alva, perto de Arganil. Os percursos pedestres são outra das actividades oferecidas pelas diversas empresas de lazer e aventura da zona.
Se, ainda assim for apreciador de um turismo mais ecológico, não pode deixar de visitar a rota dos vales glaciares, a rota dos quatro rios (Zêzere, Alva, Mondego e Côa), a rota das 25 lagoas e a rota das reservas naturais (parque natural da Serra da Estrela e reserva natural da Serra da Malcata).
Para os interessados em História, sugerimos visitas culturais a aldeias e monumentos da zona através da rota das antigas judiarias, das aldeias históricas, dos castelos e até a rota da Lã – que inclui o Museu dos Lanifícios – e a rota dos antigos Descobridores, de que é exemplo o Infante D. Henrique.
O planalto
A Serra da Estrela (que faz parte da Cordilheira Central Ibérica) é um imenso planalto com 1993 metros de altitude, constituída essencialmente por granito com manchas de xisto. Separa as bacias do Douro, Tejo e Mondego, dividindo as águas do país. Com mascas nítidas de erosão glaciária e vegetação característica, conferem à Estrela uma expressão única em Portugal.
A Torre
No local designado por Malhão da Estrela, na sua altitude máxima, o príncipe regente e futuro rei D. João V, mandou erguer, em 1806, uma pirâmide, entretanto destruída, que originou a designação de Torre. O marco geodésico actualmente existente "confere" à Estrela a altitude de 2000 m, o ponto mais alto de Portugal continental.
Usos, Costumes e Tradições
O pastoreio, a agricultura de montanha e os têxteis foram as actividades tradicionais mais responsáveis pela transformação da paisagem natural da Serra da Estrela, pois a presença humana é uma constante.
São usos, costumes e tradições que, tal como o artesanato, sublinham a genuinidade do mundo rural da Serra da Estrela a começar no fato dos pastores, feito com a lã das ovelhas, em preto ou amarelo-torrado, ou em castanho.
No Verão, ao descer à aldeia podemos encontrar as festas da Padroeira, cuidadosamente preparadas pelos "mordomos". Podem ver-se os andores, as procissões, o foguetório, a banda da música e as delícias festivas: as cavacas, o queijo, as febras de porco à moda da Feira, o presunto e os enchidos.
No S. Martinho, em Novembro, há a tradição de matar o porquinho e provar o vinho.
Quando se celebra o Natal, o Ano Novo e os Reis ouve-se cantar as Janeiras, de porta em porta.
Depois, quando os campos já cheiram a alecrim e rosmaninho, e depois de cantadas as "ladaínhas" da Páscoa, os rebanhos descem às aldeias ou à N. Srª de Assedace e dão três voltas à Igreja para afugentar o "mau-olhado".
Artesanato
Na Serra da Estrela ainda subsistem mais de cem actividades artesanais de entre as quais a olaria, tecelagem, pintura, trabalhos em madeira, tanoaria, brinquedos, tapeçarias, indumentárias tradicionais, bordados, linhos, cestaria ou artesanato alimentar dos enchidos, do queijo e das doçarias, entre outros. Muitos dos produtos são produzidos pela sua função utilitária e recriados em miniaturas com uma função decorativa.
As peças são produzidas por artesãos que trabalham nas suas próprias casas ou em pequenas unidades de produção artesanal, maior parte das vezes de carácter familiar.
O artesanato alimentar engloba algumas das produções tradicionais mais conhecidas e apreciadas de toda a Serra da Estrela. São os sabores salutares de uma Serra a cintilar de delícias, onde tudo continua a nascer puro e natural: o Leite, requeijão e o Queijo da Serra, a Castanha e o Centeio para o pão, o "Borrego de Canastra", o Cabrito e as Trutas, ou o Milho amarelo para a broa.
Os vinhos brancos ou tintos, são os do Dão - Sub-região da Serra da Estrela. A Região demarcada do Dão foi criada em 1907 e desde então a evolução científica dos vinhos, dos encepamentos e dos processos de vinificação não tem parado.
Onde ficar
A Serra da Estrela, como quase toda a paisagem serrana nacional, é marcada pelos seus edifícios de pedra local, granito ou xisto, rodeada pelos seus muros feitos de pedaços de história amontoada. Poucos são os hotéis da zona que conservam essas características, a maior parte são casas de quintas e solares recuperados para o turismo, outros são de madeira, respeitando a paisagem, ou construções novas destinadas à hotelaria. São exemplo de casas antigas a Quinta da Villa Meã, em Viseu, que no século XIII fazia parte da coroa portuguesa, e a Quinta da Cortexeira, em Manteigas, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, composta por cinco edifícios em xisto. Já a famosa Estalagem Varanda dos Carquejais, situada quase no cimo da serra é de design moderno, mas acolhedor.
Quinta de Villa Meã
Viseu
232.930030
Quinta da Cortexeira
Manteigas
275.487617/96.7784995
Estalagem Varanda dos Carquejais
Covilhã
2755319120/275319124
Alambique de Ouro
Fundão
275774145/ 275774021
Onde comer
A gastronomia da Serra da Estrela, típica das Beiras, é das mais ricas a nível nacional. O queijo da serra da Estrela é o produto mais conhecido – e mais procurado –, mas os enchidos e presuntos, o mel, e os doces são igualmente muito apreciados. Nos restaurantes de toda a zona pode descobrir os deliciosos pratos de caça, como o javali à caçador, o coelho estufado com ameixa ou a perdiz de escabeche, pratos de peixe, como a truta recheada com presunto, ou o famoso cabrito à serrana. No restaurante a Cascata, em Manteigas, pode deliciar-se com o javali estufado, as feijocas, a chanfana de cabrito e o cabrito assado no forno. No Vallécula, em Valhelhas, aprume os cinco sentidos ao provar o coelho com castanhas ou o javali de montaria à Beira.





