Turismo: Participação, Georreferênciação e Recomendação

Turismo: Participação, Georreferênciação e Recomendação

Armando Vieira, CEO da Sairmais

 

Parte 1

Viagens e turismo são dois sectores marcantes da sociedade contemporânea e da economia. As estimativas indicam que só em 2006 tenham existido cerca de 842 milhões de turistas. Estes viajantes são consumidores importantes de serviços, incluindo informação e o seu número é cada vez mais maior.

 

A tecnologia da informação é um dos factor-chave na personalização que visa satisfazer os desejos e expectativas individualizadas dos consumidores. A tecnologia da informação dá às empresas a capacidade de sistematizar as operações, desenvolvendo modelos de previsão das preferências do cliente (sistemas de recomendação e similares). Muitos são capaz de ajustar dinamicamente as ofertas de preço (com base em uma multiplicidade de factores, que vão desde a gestão da cadeia de abastecimento à procura esperada). Modelos sofisticados de armazenamento e gestão e análise de dados (data mining) permitirão obter uma melhor inteligência de negócios e optimizar a tomada de decisões.

 

Os serviços actuais apresentam arquitecturas ainda muito orientadas somente para empresas no sector do turismo (tais como companhias aéreas ou hotéis) - o modelo BB. Os consumidores, que têm sido esquecidos neste processo por muitos operadores turísticos, hoje em dia podem porém ecorrer a uma crescente variedade de serviços de informação de elevada sofisticação, como motores de comparação de preços.

 

Este trabalho pretende explorar, numa série de textos, a penetração da tecnologia da informação no turismo. Pertendemos explorar as transformações ocorridas no processo de gestão e de marketing  quando essa tecnologia permitir aos turistas filtrar informação e aumentar as suas próprias experiências. O acesso a plataformas de computação poderosas e ubíquas (como os dispositivos móveis), bem como a serviços baseados em localização geográfica dos turistas (e consumidores em geral) estão a revolucionar, a uma velocidade estonteante, toda a indústria do turismo.

 

O turismo moderno, ou seja o turismo de experiências, implica uma mudança de atitudes e métodos e dificulta os esforços comerciais por parte dos actores no turismo. No entanto, ela também cria novas oportunidades para a diferenciação no mercado e conquista de clientes através da inovação e dos serviços.

 

Hoje o cliente do turismo não é apenas um agente passivo que consome um produto standard. Ele é um elemento activo que cria conteúdos, avalia e participa na construção do seu produto. A chamada  web 2.0 ou a web social, traz novos desafios e novas oportunidades que é preciso saber aproveitar. As empresas e operadores turísticos que ignorarem este facto estão condenadas a ver os seus clientes partirem “noutras viagens”.

 

Os requisitos essenciais para esta transformação de atitude e serviços fornecidos são os recursos que permitem aos turistas filtrar, partilhar e aumentar suas próprias experiências. A computação móvel cada vez mais universal significa que os turistas terão ainda mais capacidade de compreender e co-criar suas experiências.

 

(final da parte 1)

 


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